Um estudo lançado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) nesta terça-feira (5), em São Paulo, demonstrou o impacto da falta de investimentos do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) na educação pública de São Paulo.
De acordo com a pesquisa, 80,2% dos(as) entrevistados(as) adoeceram por conta do trabalho e 60,3% tiveram de se afastar das atividades escolares, situação que promove queda na qualidade do atendimento à população.
O mais alarmante, porém, é o índice de adoecimento mental ou emocional associado ao ambiente profissional: 97,6%, portanto, quase todos os profissionais do ensino público de São Paulo sofrem com as más condições de trabalho. Desses, 24,8% se afastaram da rotina laboral.
A pesquisa resultante da parceira da AFUSE com a Apeoesp, SindSaúde-SP e a Frente Parlamentar pela Saúde e Direitos do Funcionalismo Público Estadual apontou ainda que a maior parte (41%) das doenças mentais ou emocionais nos últimos 5 anos está relacionada com ansiedade ou pânico. Seguida por distúrbios de sono ou insônia (33,5%) e depressão (29,8%).
Presidenta da AFUSE, Rosana da Silva, ressaltou que o atual cenário exige que os profissionais façam muto com poucos recursos.
“Quando falamos de saúde mental, tratamos de trabalhadores e trabalhadoras dentro desse sistema que o governo chama de escola integral, que funciona o dia todo, mas com poucos funcionários, intervalos curtos e jornadas exaustivas”, disse.
Rosana abordou ainda os impactos que a terceirização traz para a categoria. “Os terceirizados trabalham dobrado sem nenhuma assistência, em todas as instâncias. Além disso, tivemos uma reestruturação que só piorou o quadro. Quando o governo tirou o secretário de escola e criou o GOE (gerente de organização escolar), vimos o adoecimento do servidor, que sofre pressão e passa para quem está abaixo dele hierarquicamente”.
A situação, apontou, é desafiadora por conta da estrutura de abandono imposta pela gestão paulista. “Todos esses desafios são acompanhados de baixo salário, falta de aumento, tíquete refeição congelado, funcionários envelhecidos, já que não temos concursos públicos para renovação dos quadros, e falta de assistência do Iasmpe (Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual de São Paulo), que está sendo sucateado pelo governo. Por isso é fundamental mostrar à população quem é o Tarcísio para além da blindagem da mídia e das propagandas enganosas”, definiu.